Nos últimos meses, o aumento dos preços dos alimentos tem sido um dos principais desafios para os brasileiros. Itens como carne, café e azeite estão entre os maiores responsáveis pela inflação alimentar, pesando no bolso dos consumidores. Mas quais são as causas dessa alta? E o que esperar para 2025?
A Inflação e Seus Principais Responsáveis
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2024 com uma alta de 4,83%. O setor de alimentos foi um dos principais responsáveis por essa inflação, com destaque para a carne (20,84% de aumento), café (46,1%) e azeite (17,24%).
Os motivos para esse aumento variam, mas podemos destacar três principais fatores:
- Questões Climáticas: O fenômeno El Niño impactou diretamente as safras, causando secas e queimadas que reduziram a produção de grãos, laranja e café.
- Demanda Internacional: O Brasil se destaca como exportador de alimentos, e a alta procura global por carne e café elevou os preços internamente.
- Desvalorização do Real: O dólar mais forte encareceu insumos agrícolas e tornou mais atrativa a exportação, reduzindo a oferta no mercado interno.
O Desmonte da Conab nas Gestões Anteriores
Um dos fatores que contribuíram para a alta dos preços foi o enfraquecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Durante esse período, a Conab praticamente zerou os estoques de alimentos essenciais, como arroz e feijão, fechando cerca de 30% dos armazéns públicos. Isso deixou o governo sem instrumentos para regular os preços em momentos de crise, tornando a população ainda mais vulnerável aos aumentos.
Com a nova gestão, há um esforço para recompor estoques e garantir uma política de segurança alimentar. O governo retomou a compra de milho para abastecimento emergencial e está buscando fortalecer a rede de armazéns.
As Medidas do Governo e Seus Possíveis Efeitos
Diante da pressão inflacionária, o governo federal adotou medidas para conter o aumento dos preços, incluindo:
- Isenção de impostos de importação para itens como carne, café, azeite e óleo de girassol.
- Fortalecimento dos estoques da Conab, visando regular o preço dos alimentos no mercado interno.
- Incentivo à agricultura familiar por meio do Plano Safra, com juros reduzidos para pequenos produtores.
Apesar dessas iniciativas, especialistas apontam que o impacto pode ser limitado, uma vez que fatores como oferta internacional e variações cambiais têm um peso significativo na formação dos preços.
A Percepção da População Sobre a Inflação
A alta dos preços tem impacto direto na percepção da população sobre o governo. Segundo pesquisa da AtlasIntel, 51,6% dos brasileiros acreditam que a responsabilidade pela inflação é da política econômica do governo federal, enquanto 22,4% culpam as empresas e o comércio por buscarem maior lucro. Além disso, 56,3% dos entrevistados afirmaram que o governo deveria fazer mais para reduzir a inflação.
Outro dado relevante é a dificuldade da população em compreender a relação entre a taxa de juros e a inflação. A pesquisa mostrou que 63,4% dos entrevistados acreditam que o aumento da taxa Selic eleva a inflação, quando, na verdade, o efeito esperado é o oposto: frear a alta dos preços ao reduzir o consumo.
O Que Esperar para 2025?
Segundo economistas, a inflação dos alimentos continuará sendo um desafio em 2025, mas alguns produtos podem apresentar uma estabilização. O óleo de soja, por exemplo, tende a recuar devido à projeção de uma safra recorde. Já a carne e o café devem permanecer caros, devido ao ciclo pecuário e às oscilações climáticas.
Como o Consumidor Pode se Proteger?
Diante desse cenário, algumas estratégias podem ajudar o consumidor a driblar os aumentos de preço:
- Substituir produtos: Trocar carne bovina por frango ou peixes pode ser uma alternativa.
- Aproveitar promoções: Supermercados oferecem descontos em dias específicos, o que pode gerar economia.
- Buscar marcas alternativas: Produtos menos conhecidos podem ter qualidade semelhante e custar menos.
A inflação alimentar segue como um dos principais desafios para o país, mas entender suas causas e adotar estratégias para economizar pode ajudar a mitigar seus impactos. Fique atento às mudanças do mercado e acompanhe nosso blog para mais análises econômicas!
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